1960
Primeiros passos
Ao comemorar 50 anos da Univás é preciso A criação da instituição cinquentenária está intimamente li-recordar com gratidão os primeiros passos da gada ao processo de descentralização do ensino superior no País, empreendido na década de 1960, pelo Governo Federal.
criação dessa querida e respeitada instituição, A política educacional da época buscava a criação de novos que é fruto de muita luta de idealizadores com polos universitários no interior do Brasil, com o objetivo de promover o desenvolvimento regional e a descentralização visão sempre voltada para o futuro. Tudo dos centros de ensino superior.
que foi feito pelos pioneiros transcende a A cidade de Pouso Alegre sempre foi considerada uma área existência individual, pois são ganhos para estratégica de acesso aos três maiores centros de produção e consumo do País (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Ja-toda coletividade.
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neiro). Por esses motivos, foi criada a Fundação Universidade do Vale do Sapucaí (FUVS), por meio da Lei Estadual n° 3.227, de 25 de novembro de 1964, com o intuito de criar e gerir os futuros cursos de formação superior aqui no município.
Portanto, o primeiro passo para criação da Universidade foi implementar a FUVS para atuar como mantenedora do curso de Medicina. A implantação do curso só veio em 1968, en-cabeçada pelos idealizadores saudosos Dom José D’Ângelo Neto e Jésus Ribeiro Pires e o apoio do comandante da divisão militar do exército de Pouso Alegre, general Newton Cruz.
Para entender os próximos passos da criação do curso de Medicina, é necessário destacar a figura incansável do professor Dr. Jésus Ribeiro Pires, que foi fundamental para im-Comissão verificadora sendo recebida pela diretoria da FACIMPA - 1968
plementação do curso de Medicina. A dedicação e persis-tência do Dr. Jésus, em favor da instituição, é lembrada até braço a torcer e apoiou a ideia. Importante destacar, que Dr.
hoje com saudade e orgulho pelas pessoas que fizeram parte Mosconi, além de grande apoiador da causa, foi também um da história da Universidade. “Ninguém tira do Dr. Jésus esse expoente na criação do curso, pois havia sido deputado es-merecimento de ter sido o papel principal da idealização e tadual e federal.
fundação dessa instituição. Eu assisti a dedicação firme desse homem imprescindível para Pouso Alegre”, afirma o médico Um dos fatos mais intrigantes é que a vizinha cidade de Ita-e ex-professor do curso de Medicina, Gabriel Meirelles de jubá também pleiteava, na mesma época, a criação do curso Miranda.
de Medicina. Com respaldo político maior que Pouso Alegre e ligação com ex-governador de São Paulo, Laudo Natel, li-gado diretamente ao Governo Militar, Itajubá saiu na frente.
“Quando saiu a autorização para Itajubá, foi uma ducha de água fria para Pouso Alegre, mas a chama continuava viva e continuamos nossa luta”, conta Dr. Virgínio.
Dr. Jésus Ribeiro Pires,
o idealizador da Faculdade
de Medicina
Outra figura vital para criação do curso de Medicina foi o professor Dr. Virgínio Cândido Tosta de Souza, que estava terminando a residência médica no Rio de Janeiro, quando recebeu a informação que Dr. Jésus desejava criar a faculdade e precisava da sua ajuda e apoio.
Por sua vez, Dr. Virgínio conta que outro fator essencial para Comissão verificadora em visita à sala de Anatomia - 1968
o curso foi a cidade contar com um cirurgião de grande re-nome na época, Alcides Mosconi, que comandava em Pou-Neste ínterim, o conselheiro do Conselho Federal de Educa-so Alegre um centro de atração médica na região. Isso fez ção, Valmir Chagas, teve uma cólica renal no Rio de Janeiro o município despontar como centro de assistência médica.
e foi atendido pelo Dr. Virgínio, que voltou a interceder pelo Baseado nesse diferencial, Dr. Jésus resolve criar a faculdade curso de Medicina em Pouso Alegre. Valmir abriu mais uma de Medicina, ideia desacreditada pela maioria da população chance para criação e sugeriu que a Universidade Federal de e repudiada por parte da classe médica, que depois deu o Minas Gerais (UFMG) ficasse responsável pelo novo curso 2



rEsPEito ao Passado. visão Para o futuro.
durante 5 anos, pois Pouso Alegre não tinha médicos para lecionar nas cadeiras básicas. Dr. Jésus Pires foi então até Belo Horizonte e levou a proposta que foi aceita. Com isso, Valmir cumpriu a promessa e autorizou a criação da Faculdade de Medicina de Pouso Alegre.
Chegada à praça Senador José Bento com autorização da FACIMPA em 5 de novembro de 1968
neiro. “Atenção, atenção, como última notícia, informo que foi autorizada a criação da Faculdade de Medicina na cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais”.
Entre as autoridades que foram até o Rio de Janeiro de carro estavam o presidente da FUVS, Dom José D’Ângelo Neto; o Construção do prédio da Faculdade de Medicina em 1968
prefeito de Pouso Alegre, Jorge Andery; o vice-prefeito An-tônio Ribeiro; vereador Breno Coutinho e os médicos Virgí-
O conceituado médico e professor, Félix Carlos Ocáriz Ba-nio Cândido Tosta de Souza e Alcides Mosconi. Na chega-zzano, disse que seu mestre Dr. Virgínio é uma pessoa ex-da, de forma emocionante, todos foram colocados em um tremamente humilde, extremamente ética e, sobretudo, ex-caminhão próximo ao Trevo Fernandão e vieram para praça tremamente humano. “Dr. Virgínio é uma pessoa que sonha central da cidade que já estava lotada para uma grande festa.
longe, sonha a modernidade e os benefícios que trazem os No local, esfuziantes todos discursaram sobre a grande con-avanços tecnológicos.Ele é exemplo dedicação às causas da quista para o município.
instituição e é um educador por natureza, que gosta do que faz e faz com excelência”, elogia Dr. Félix, que foi de estudante nos anos 70 e reitor da Univás de 2010 a 2014.
Autorização do Conselho Federal
de Educação
Há 50 anos, em 1968, a FUVS recebeu a autorização para a criação da Faculdade de Ciências Médicas Dr. José Antônio Garcia Coutinho (Facimpa). O primeiro curso criado e man-tido pela FUVS, foi o de Medicina, que iniciou suas atividades no ano de 1969.
Uma das situações mais significativas foi que a autorização foi informada pelo Repórter Esso da TV Tupi, que tinha a re-percussão comparada ao Jornal Nacional da Rede Globo. Dr.
Virgínio conhecia o repórter Contijo Teodoro que, antes de Autoridades locais e estaduais reunidas durante construção do prédio da terminar o jornal, informou a conquista do município sul-mi-Faculdade de Medicina
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O início da Faculdade
de Medicina
Novela X Autorização
Quando o Conselho Federal de Educação auto-
Após a autorização, as obras começaram em ritmo acelerado rizou a criação da Faculdade de Medicina em no terreno doado pela família pouso-alegrense de sobreno-Pouso Alegre, as autoridades locais que esta-me Paula na avenida Alfredo Custódio de Paula. A Faculdade vam no Rio de Janeiro vinham entusiasmadas e ansiosas para comemorar a conquista. Porém, iniciou suas aulas com cinco cômodos e o primeiro vestibu-quando chegaram à Santa Rita do Sapucaí, o
lar, com 70 vagas, que foi realizado na Faculdade de Direito prefeito de Pouso Alegre, Jorge Andery, suge-no início de 1969, já atraiu muitos candidatos de vários cantos riu que todos parassem para comer um lanche, do Brasil.
pois já era noite e estava no ar a novela
Antônio Maria, que fazia enorme sucesso na
época. Portanto, a festa da autorização foi No final,
adiada por conta da teledramaturgia.
acabado o capítulo da novela, a avenida ficou lotada para uma festa sem igual para época.
Panfleto que anunciava primeiro vestibular de Medicina Primeiro vestibular do curso de Medicina realizado no início de 1969 na Faculdade de Direito do Sul de Minas
A formação do corpo docente também foi complicada, já que Pouso Alegre possuía profissionais para lecionar discipli-médicos professores para atuar no curso, entre eles Alci-nas mais avançadas, enquanto as mais básicas não possuíam des Mosconi, Virgínio Cândido Tosta, Carlos de Barros La-professores. Por isso foi necessário convênio com a Univer-raia, Elias Kallás, Sebastião Jupiaçara Guimarães, José Carlos sidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por essa razão, des-Correa, Leda Marques Ribeiro, Gabriel Meirelles de Miranda taques do cenário médico nacional da época como Roberto e Elísio Meirelles de Miranda. “Eu sempre fui muito acanha-Alvarenga, Abraão Salomão e Jota D’Ângelo constam como do e o convite do Dr. Jésus despertou em mim a vontade de educadores iniciais da Faculdade de Medicina de Pouso Ale-ensinar, passar meus conhecimentos aos alunos. Eu me refiz gre.
e tive que estudar muito para fazer vantagem. A Univás me propiciou um enorme desenvolvimento profissional e pes-Nos anos 70, Dr. Jésus Ribeiro Pires formou um timaço de soal”, analisa Gabriel Miranda.
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rEsPEito ao Passado. visão Para o futuro.
O boi “Didi”
O coordenador do curso de Medicina,
Carlos
Luiz
de Menezes, que fez parte
ra
da
turma
primei
do
-
curso de Medicina, conta
alunos
que
ganhara
os
m um bezerro que batizaram
“Didi”. Os
de
estudantes, juntamente
tião
com Sebas
Paulino
-
de Melo, o “Seu Tião
mia”,
da Anato
pegaram
-
carinho pelo animal
a
e
cr
passaram
iá-lo dentro da faculdade nos
Conta
anos
a lenda
70.
Laboratório de Anatomia nos anos 70
que o bezerro passeava
corredores
nos
da recém implantada
até
faculdade,
o dia que invadiu a secretaria
enorme
e fez
bagunça
uma
. “Didi” foi doado
dor
a um
que
cria
também
-
não teve coragem de matá-lo,
e, por isso, acabou morrendo de velho.
Sala de aula no início da Faculdade de Medicina Laboratório Multidisciplinar nos anos 70
Secretaria da Faculdade de Medicina
“O que mais me emociona de tudo isso foi a construção do Hospital Universitário, que na realidade atual atende dois mi-lhões e meio de habitantes na maioria pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Um Hospital reconhecido nacional e internacionalmente em muitas áreas médicas. Nossa institui-
ção é respeitada no mundo todo”.
dr. virgínio cândido tosta de souza
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