A integração entre engenharia e saúde tem ampliado as possibilidades de desenvolvimento de soluções aplicadas ao cuidado da população.Um exemplo é a parceria entre o Inatel e a Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), que resultou na primeira entrega de um protótipo de eletrodo voltado ao tratamento de disfunções pélvicas. A iniciativa integra uma pesquisa de doutorado do Programa de Pós-Graduação Profissional em Ciências Aplicadas à Saúde da Univás e conta com a participação do Inatel por meio do eHealth Innovation Center.

O projeto teve início há cerca de um ano e meio e envolve o desenvolvimento de uma solução voltada à saúde pélvica, com aplicação prevista para casos como incontinência urinária, disfunção sexual, incontinência fecal e dor pélvica.
Para o doutorando Jonas Isac da Rosa, responsável pela pesquisa na Univás, a proposta é desenvolver uma solução com potencial de uso por diferentes profissionais da área da saúde. “A expectativa é que a solução seja disponibilizada para a população em clínicas, hospitais e outros espaços de atendimento”, explica. A etapa entregue contempla a construção do protótipo e a realização de testes elétricos em laboratório. A próxima fase será a avaliação em seres humanos, já aprovada pelo Comitê de Ética, com aplicação inicial prevista em clínicas de fisioterapia.

No Inatel, o projeto contou com a participação da estudante Maria Clara Bernardes Ferrer, do 7º período de Engenharia Biomédica, que atuou na pesquisa de materiais, confecção do eletrodo e realização dos testes elétricos. “Nós pesquisamos quais materiais poderiam ser usados, selecionamos as melhores opções e confeccionamos o eletrodo. Depois de pronto, fizemos testes elétricos, como testes de condutividade e ruído”, relata.
Para Fabiano Valias, coordenador do curso de Engenharia Biomédica do Inatel, a participação da estudante reforça a importância de envolver alunos da graduação em projetos aplicados desde a formação acadêmica.“A Engenharia Biomédica existe para resolver problemas da saúde. Colocar alunos de graduação em contato com mestrandos e doutorandos em um desafio real potencializa a formação acadêmica”, destaca.
Segundo ele, a parceria também representa um marco para o curso, por aproximar os estudantes de um projeto de pesquisa vinculado à pós-graduação e com possibilidade de aplicação prática na área da saúde.
A colaboração entre Inatel e Univás une a experiência da área da saúde à capacidade técnica da engenharia. Segundo Adriana Rodrigues dos Anjos Mendonça, coordenadora do Programa de Pós-Graduação Profissional em Ciências Aplicadas à Saúde da Univás, essa integração é fundamental para transformar demandas clínicas em soluções aplicáveis.
“Existe uma demanda da área da saúde, mas é necessário o conhecimento técnico para a execução do projeto. A ideia vem da saúde, mas a engenharia ajuda a tornar isso realidade”, afirma.
O professor Geraldo Magela Salomé, orientador da pesquisa pela Univás, ressalta que o projeto busca aproximar a produção acadêmica das necessidades da sociedade. “Estamos saindo da universidade e indo para a população. A proposta é oferecer um tipo de tratamento mais acessível para quem precisa”, afirma.
A professora Elisa Renno Carneiro Dester, orientadora do projeto de iniciação científica de Maria Clara, também destaca que a iniciativa une inovação tecnológica, formação acadêmica e aplicação prática na área da saúde. O trabalho marca ainda a primeira parceria entre Inatel e Univás com essa finalidade e está vinculado à primeira tese de doutorado a ser defendida no programa da universidade.
Com a entrega do protótipo, a parceria avança para uma nova etapa de validação, aproximando estudantes, pesquisadores e profissionais da saúde. A iniciativa reforça o papel da Engenharia Biomédica no desenvolvimento de soluções tecnológicas para desafios reais, conectando conhecimento técnico, pesquisa aplicada e impacto social.