Projetos desenvolvidos por acadêmicos transformam desafios do SUS em soluções no Hackathon

10/09/2026

Problemas concretos enfrentados nos serviços de saúde foram o ponto de partida para 24 equipes que participaram, nos dias 21 e 22 de agosto, do SINAPS Hackathon Nacional de Soluções e Inovação Aplicadas à Saúde, promovido pelo Programa de Pós-Graduação Profissional em Ciências Aplicadas à Saúde (PPGPCAS) da UNIVÁS. A iniciativa reuniu estudantes de graduação, mestrado e doutorado da Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para desenvolver soluções voltadas aos desafios do atendimento em urgência e emergência no Sistema Único de Saúde (SUS).  Ao final da maratona, realizada durante 24 horas, três equipes receberam destaque pelas propostas.

Equipe 24 conquista o primeiro lugar

O projeto vencedor partiu de um problema relacionado ao gerenciamento da jornada do paciente crítico dentro do hospital, que pode aumentar o tempo de atendimento e o risco de morbimortalidade. A Equipe 24 propôs um painel de gestão integrado ao sistema hospitalar existente, destinado a organizar e agilizar o atendimento desde a triagem até o desfecho. A expectativa é reduzir o tempo entre a identificação do paciente crítico e o início efetivo do atendimento.

Integram a equipe Raissa Nieymayer Moreira Ribeiro (UNIVÁS, mestrado), Mariana Raposo de Alencar Monteiro (UFAM, mestrado), Bianca Silva Cardoso (UEM), Jaqueline Helen Viana (UNIVÁS, doutorado) e Tiago de Oliveira Reginaldo (UNIVÁS, doutorado).

Para Raissa, a experiência foi marcada pela colaboração e pela troca de conhecimentos. “As mentorias foram especialmente importantes, trazendo orientações práticas, realistas e aplicáveis ao desenvolvimento da nossa solução”, afirma.

Segundo Mariana o evento “Foi um momento intenso, desafiador e, ao mesmo tempo, muito enriquecedor poder construir uma solução prática aplicável ao SUS, numa equipe multidisciplinar a partir de um problema real da assistência.”

Para Jaqueline, a experiência também contribuiu para a formação como pesquisadora. “Essa troca de conhecimentos e perspectivas fortaleceu o trabalho em equipe e mostrou como a inovação nasce da colaboração”, afirma.

 

Segundo lugar propõe novos fluxos no pronto-socorro

O projeto que conquistou o segundo lugar abordou a alta demanda e a formação de filas na recepção do pronto-socorro.

A proposta consiste na reorganização do serviço em dois fluxos assistenciais integrados após a classificação de risco. A Unidade de Atendimento Resolutivo (UAR) seria destinada aos casos de menor complexidade, enquanto os casos mais graves seguiriam por outro fluxo assistencial.

A equipe foi formada por Fabíola Soares Moreira Campos, Leila Dayana do Amaral Freitas e Thales Bittencourt de Barcelos.


PONTO ZERO: informação antecipada durante o deslocamento

O terceiro lugar, conquistado pelo Grupo 15, teve como foco a chegada tardia de informações sobre pacientes críticos durante o deslocamento até o Hospital Regional Vale do Encontro.

A solução proposta foi o PONTO ZERO, um protocolo digital de pré-notificação que integra o atendimento móvel ao hospital durante o deslocamento do paciente.

A proposta busca transformar o tempo de transporte em tempo de preparação, permitindo que a equipe hospitalar receba antecipadamente informações sobre o paciente e possa se organizar para o atendimento.

Integram o grupo Lídia Lopes Pereira, Moisés dos Santos Levy, Tiago Ribeiro Brandão Bueno e Vitor Hugo Marçal de Carvalho.

Colaboração entre instituições e formação acadêmica

Os três projetos vencedores abordam diferentes etapas da jornada do paciente: o atendimento pré-hospitalar, a organização dos fluxos no pronto-socorro e o gerenciamento do paciente crítico dentro do hospital.

Para Bianca Silva Cardoso, da UEM, o contato com diferentes realidades hospitalares e a atuação de uma equipe multidisciplinar contribuíram para o desenvolvimento do projeto, com foco em ideias que possam gerar impacto na qualidade, eficiência e segurança da assistência prestada pelo SUS.

Ao aproximar estudantes, pesquisa aplicada, tecnologia e problemas concretos da saúde, o Hackathon criou um espaço de colaboração voltado à construção de soluções para desafios da assistência. A experiência reforça o papel da universidade na formação de profissionais e pesquisadores capazes de compreender problemas complexos e desenvolver, de forma colaborativa, propostas alinhadas às necessidades do SUS.

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