O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) expediu, neste mês de outubro, a concessão oficial do "Pó Composto da Casca da Banana Verde (Musa sapientum) para Tratamento da Dermatite Periestomal", após seis anos do depósito original do pedido, realizado em 2020.

A tecnologia inovadora foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Profissional em Ciências Aplicadas à Saúde da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), âmbito Mestrado, pela aluna Ana Cristina da Silva (foto acima). O trabalho foi realizado sob a orientação da professora Dra. Adriana Rodrigues dos Anjos Mendonça e coorientação do professor Dr. Geraldo Magela Salomé.

Ana Cristina da Silva explica que a invenção consiste em um pó cicatrizante que utiliza como princípio básico o composto da casca da banana verde (Musa sapientum). “O produto demonstrou alta eficácia no tratamento de feridas e inflamações na pele ao redor de estomias intestinais (pele periestomal), oferecendo alívio imediato da dor e proteção para a região afetada”, esclarece.

A concessão do registro coroa um ciclo de dedicação à pesquisa aplicada. Segundo a autora da pesquisa, o desenvolvimento do composto nasceu para preencher uma lacuna importante no atendimento humanizado a esses pacientes. "O desenvolvimento do pó composto da casca da banana verde para o tratamento da dermatite periestomal surgiu da necessidade de oferecer uma alternativa terapêutica eficaz, acessível e potencialmente de baixo custo às pessoas com estomias intestinais. Os resultados demonstraram benefícios no processo de cicatrização, reforçando a importância de investir em tecnologias inovadoras que promovam qualidade de vida, conforto e dignidade aos pacientes", destaca.

A pesquisadora ressalta ainda o impacto da conquista para a saúde pública e para a instituição de ensino. "Para a sociedade, a invenção amplia as perspectivas de acesso a tecnologias em saúde, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Para Univás, evidencia a força da produção científica e a importância de apoiar pesquisas capazes de ultrapassar os espaços acadêmicos e gerar benefícios concretos à população. A concessão da patente é motivo de grande orgulho e reforça minha convicção de que a ciência deve estar a serviço das pessoas. Uma conquista coletiva, que destaca o papel da Universidade na formação de profissionais capazes de criar novas soluções para a sociedade".

Inovação e benefícios práticos ao paciente
O grande diferencial técnico deste novo composto é a sua aplicação direta na pele sem interferir na adesão do equipamento coletor (bolsa de estomia). No dia a dia dos pacientes, esse fator é crucial, pois evita vazamentos e garante a durabilidade do dispositivo médico, melhorando significativamente a qualidade de vida e o bem-estar dos usuários. “Com a expedição oficial da carta-patente pelo INPI, a tecnologia ganha proteção jurídica de exclusividade. Este registro abre caminho para que laboratórios e indústrias farmacêuticas licenciem a fórmula, viabilizando a produção em larga escala e a chegada deste tratamento inovador ao mercado de saúde e aos hospitais”, afirma a orientadora Dra. Adriana Rodrigues dos Anjos Mendonça.